Transição energética: primeiro eletrificar – e, para o resto, metanol em vez de hidrogénio
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De acordo com um estudo da Universidade Técnica de Berlim, um sistema energético climaticamente neutro na Europa poderia basear-se, em grande medida, na eletrificação direta. Para as poucas aplicações que, mesmo no futuro, não poderão ser eletrificadas de forma viável — por exemplo, na navegação, em setores da indústria química ou para fazer face a longos períodos de escassez de energia e ausência de luz solar —, os investigadores defendem que se opte mais pelo metanol do que pelo hidrogénio. De acordo com os seus cálculos, os custos totais do sistema seriam apenas ligeiramente superiores, enquanto o metanol oferece vantagens significativas em termos de transporte, armazenamento e infraestruturas.
A partir de resíduos biogénicos e de hidrogénio renovável, produz-se metanol — um portador de carbono amigo do clima, fácil de transportar e armazenar, destinado às aplicações restantes que não podem ser diretamente eletrificadas.
O estudo «A minimal methanol backstop for high-electrification scenarios», publicado na revista especializada Joule, analisa como a Europa pode assegurar o seu abastecimento energético de forma economicamente eficiente e neutra em termos climáticos. O resultado: ao contrário do que se supunha há apenas alguns anos, é agora possível eletrificar diretamente um número significativamente maior de setores — por exemplo, através de camiões elétricos a bateria ou de soluções elétricas para o fornecimento de aquecimento.
Com isso, muitas aplicações do hidrogénio deixam de ser necessárias. Os combustíveis químicos passam, assim, a ser necessários apenas onde a eletrificação direta é tecnicamente quase impossível — por exemplo, na navegação internacional, no transporte aéreo, em setores da indústria química, bem como em centrais elétricas de reserva que garantem o abastecimento de eletricidade durante períodos prolongados de escassez de energia solar e eólica. Nestes setores, são necessários combustíveis líquidos com elevada densidade energética, como o metanol ou o querosene, em vez do hidrogénio.
A infraestrutura de metanol pode ser desenvolvida de forma mais flexível
«Atualmente, está a ser planeada uma grande rede de hidrogénio na Alemanha», afirma o Prof. Dr. Tom Brown, diretor da área de especialização «Transformação Digital em Sistemas Energéticos» na Universidade Técnica de Berlim. «No entanto, é provável que a procura de hidrogénio no futuro tenha sido significativamente sobrestimada neste contexto. Com metanol em vez de hidrogénio, seria possível adaptar a infraestrutura de forma muito mais flexível à procura real.» Com efeito, enquanto o hidrogénio, devido ao seu pequeno tamanho molecular e à sua baixa densidade, requer longos gasodutos e armazenamento subterrâneo, o metanol líquido pode ser transportado com um esforço relativamente reduzido por navio, comboio, camião ou através de antigos oleodutos, e armazenado em tanques. Segundo a avaliação de Tom Brown e da sua equipa, esta flexibilidade facilita significativamente a construção de uma nova infraestrutura e reduz o risco de investimentos errados e dispendiosos.
Custos adicionais reduzidos do metanol – em troca, maior flexibilidade
Os cálculos de modelo, realizados com a ajuda do software «PyPSA» desenvolvido pelo grupo de investigação de Tom Brown, mostram que um sistema energético com um «reserva de metanol» implica custos totais do sistema apenas cerca de 2,4 por cento superiores aos de um cenário que aposta no hidrogénio ou no metano para as restantes aplicações. Na opinião dos investigadores, estes custos adicionais reduzidos são, no entanto, compensados por vantagens que, até ao momento, só podem ser parcialmente representadas nos modelos – como, por exemplo, a expansão mais flexível da infraestrutura, que pode ser adaptada consoante a evolução, e o armazenamento mais simples do vetor energético. Os investigadores consideram também que os seus resultados constituem um contributo para o atual debate sobre política energética. Na sua opinião, a expansão da eletrificação deve continuar a ter a máxima prioridade. O metanol produzido de forma sustentável deve assumir um papel importante nos casos em que as soluções elétricas se deparam com limites técnicos.
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